
PRK ou LASIK
Por Dr. Diogo Boschini – Oftalmologista em curitiba
Uma das perguntas mais frequentes sobre cirurgia refrativa é:
“PRK ou LASIK: qual é melhor?”
A dúvida é compreensível. Ambas são técnicas consolidadas, utilizam laser de alta precisão e têm como objetivo reduzir ou eliminar o grau de miopia, hipermetropia ou astigmatismo. Para quem pesquisa na internet, pode parecer que existe uma técnica mais moderna, mais segura ou mais eficaz.
Mas a resposta correta não depende de tendência, marketing ou preferência pessoal.
Depende da sua córnea.
A escolha entre PRK ou LASIK é uma decisão técnica baseada na anatomia ocular, na espessura corneana, no formato da córnea, no grau a ser corrigido e no perfil individual de risco.
Neste artigo, você vai entender a diferença entre PRK e LASIK, como cada técnica funciona, quais são as vantagens e limitações, quem é mais indicado para cada procedimento e por que a avaliação individual é essencial.
A proposta aqui é esclarecer com objetividade, sem simplificações.
Diferença entre PRK e LASIK: o que realmente muda?
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A principal diferença entre PRK e LASIK está na abordagem da camada superficial da córnea.
PRK
Na cirurgia refrativa PRK, a camada mais superficial da córnea, chamada epitélio, é removida. O laser é aplicado diretamente na superfície corneana e, após o procedimento, o epitélio se regenera naturalmente ao longo de alguns dias.
Não há criação de flap permanente.
Isso significa que a estrutura biomecânica da córnea permanece mais íntegra, pois não existe uma lamela separada e reposicionada.
LASIK
Na cirurgia refrativa LASIK, é criado um flap fino na córnea utilizando microcerátomo ou laser de femtossegundo. Esse flap é levantado, o laser é aplicado na camada interna da córnea e, ao final, o flap é reposicionado.
O flap adere novamente sem necessidade de pontos, mas permanece como uma interface estrutural permanente.
A presença desse flap é a principal diferença técnica quando se compara PRK ou LASIK.
Espessura da córnea: por que isso é decisivo?
Catarata é a opacificação progressiva do cristalino, que é a lente natural do olho humano. O cristalino fica localizado atrás da íris e da pupila e tem a função de focalizar a luz que entra no olho, direcionando-a até a retina para formar uma imagem nítida.
Para que essa focalização aconteça corretamente, o cristalino precisa ser transparente. Essa transparência depende da organização extremamente precisa das proteínas que o compõem. Quando essa organização se altera, o cristalino começa a perder sua clareza.
O termo “opacificação” significa exatamente isso: perda de transparência. Quando o cristalino se torna opaco, a luz deixa de atravessá-lo de maneira organizada e passa a se dispersar. Essa dispersão é o que causa a visão embaçada pela catarata.
É importante reforçar que a catarata ocorre dentro do olho. Não é uma película externa que cresce sobre a córnea e não pode ser removida com colírios.
Por que o cristalino perde a transparência?
A córnea possui espessura limitada. Toda cirurgia refrativa remove uma quantidade microscópica de tecido para corrigir o grau.
No LASIK, além da ablação do laser, é criada uma lamela (flap), o que consome parte da espessura disponível. Por isso, a espessura total da córnea é um fator determinante na escolha entre PRK ou LASIK.
Em córneas mais finas, o PRK costuma ser preferível, pois preserva maior integridade estrutural.
Mas não é apenas a espessura que importa.
Biomecânica da córnea e segurança estrutural
A córnea não é apenas uma lente transparente. Ela é composta por fibras colágenas organizadas que garantem resistência e estabilidade estrutural.
Quando parte desse tecido é removida, é essencial garantir que a estrutura restante seja suficiente para manter a forma da córnea ao longo dos anos.
Por isso, durante o planejamento cirúrgico, calcula-se o chamado leito estromal residual. Esse cálculo determina quanta espessura corneana permanecerá após a cirurgia.
Se a espessura residual for insuficiente, pode haver risco de enfraquecimento progressivo, conhecido como ectasia corneana. Essa condição é rara, mas reforça por que a escolha entre PRK ou LASIK deve ser baseada em cálculos precisos e não em preferência pessoal.
O que é o leito residual e por que ele importa?
Antes da cirurgia, o médico calcula:
- Espessura total da córnea
- Espessura do flap (no caso do LASIK)
- Quantidade de tecido que será removida pelo laser
- Margem mínima de segurança
O objetivo é garantir que reste uma quantidade adequada de tecido corneano intacto após o procedimento.
Esse planejamento é o que torna a cirurgia refrativa moderna previsível e segura.
Escolher entre PRK ou LASIK sem considerar esses cálculos é uma conduta inadequada.
PRK ou LASIK: qual é melhor?
Não existe técnica universalmente superior.
A melhor escolha depende de critérios objetivos:
- Espessura da córnea
- Curvatura e regularidade corneana
- Grau a ser corrigido
- Profissão
- Prática de esportes de contato
- Histórico de olho seco
- Risco de trauma ocular
Em muitos casos, ambas são possíveis. Em outros, apenas uma delas oferece segurança estrutural adequada.
Essa é a resposta mais honesta quando alguém pergunta se PRK ou LASIK é melhor.
Recuperação: o que realmente muda?
Recuperação no PRK
No PRK, o epitélio leva alguns dias para se regenerar. Durante esse período pode haver desconforto moderado, sensibilidade à luz e visão flutuante inicial.
A recuperação visual é progressiva e tende a estabilizar ao longo de semanas.
Recuperação no LASIK
No LASIK, a recuperação costuma ser mais rápida. Muitos pacientes relatam melhora significativa nas primeiras 24 a 48 horas.
O desconforto inicial geralmente é menor comparado ao PRK.
Apesar dessas diferenças iniciais, o resultado visual final costuma ser semelhante quando ambas são bem indicadas.
Qualidade visual: contraste e fenômenos luminosos
Ao comparar PRK ou LASIK, muitas pessoas focam apenas na velocidade de recuperação. No entanto, qualidade visual envolve mais do que enxergar letras no exame.
Alguns pacientes podem relatar temporariamente percepção de halos, brilho noturno ou leve redução de contraste, especialmente nos primeiros meses. Isso ocorre porque a córnea está se adaptando à nova curvatura.
Com tecnologia moderna e planejamento adequado da zona óptica, esses efeitos tendem a ser leves e transitórios.
A qualidade final da visão depende tanto da técnica quanto do planejamento individual.
Existe risco maior em alguma técnica?
Ambas são seguras quando corretamente indicadas.
Complicações graves são raras.
Os possíveis efeitos incluem:
- Olho seco temporário
- Sensibilidade à luz
- Halos noturnos transitórios
- Pequena regressão do grau
No LASIK, existe a particularidade do flap, que permanece como interface estrutural. Em esportes de contato intenso, isso pode influenciar a escolha.
No PRK, o desconforto inicial é maior, mas não há flap permanente.
PRK é técnica antiga?
Sim, é mais antiga que o LASIK.
Mas isso não significa inferioridade.
O PRK continua amplamente utilizado e apresenta excelente estabilidade a longo prazo.
A modernidade da tecnologia não substitui adequação clínica.
Risco-benefício: como analisar de forma equilibrada?
Quando alguém pergunta “PRK ou LASIK?”, geralmente quer saber qual é mais segura.
A resposta correta é que ambas são seguras quando corretamente indicadas.
Como destaca o Dr. Diogo Boschini:
“O risco não está na técnica em si, mas na indicação inadequada. A segurança da cirurgia começa na escolha correta do paciente e no respeito aos critérios técnicos.”
O risco aumenta não pela técnica isoladamente, mas quando exames, espessura corneana ou estabilidade do grau não são devidamente considerados.
Cirurgia refrativa vale a pena quando:
- O grau está estável
- A córnea é estruturalmente segura
- Os exames são compatíveis
- As expectativas estão alinhadas
A escolha correta reduz riscos e aumenta a previsibilidade.
Perguntas Frequentes
PRK ou LASIK: qual é melhor?
Depende da espessura e do formato da sua córnea. A melhor técnica é aquela mais segura para o seu perfil.
No PRK o epitélio é removido e se regenera. No LASIK é criado um flap corneano antes da aplicação do laser.
Os principais tipos são monofocal, tórica, multifocal e foco estendido. Cada uma possui indicações específicas.
A recuperação do PRK é mais difícil?
Pode haver maior desconforto nos primeiros dias, mas o resultado visual final costuma ser semelhante ao LASIK.
O resultado visual é diferente?
Quando bem indicadas, ambas oferecem excelente qualidade visual.
A pergunta “PRK ou LASIK?” não tem resposta única porque cada córnea é única.
A melhor técnica é aquela que oferece maior segurança estrutural, previsibilidade e estabilidade a longo prazo para o seu perfil.
Mais importante do que escolher a técnica da moda é realizar uma avaliação detalhada e individualizada.
Se você quer entender qual técnica é realmente adequada para o seu caso, marque uma avaliação. Uma análise cuidadosa da sua córnea é o que permite decidir com segurança e tranquilidade.
Dr. Diogo Boschini atende na Médicos de Olhos.



