Por  Dr. Diogo Boschini Oftalmologista em curitiba

A cirurgia de catarata que conhecemos hoje — rápida, precisa e com recuperação visual previsível — nem sempre foi assim.

A história da cirurgia de catarata é marcada por avanços técnicos significativos nas últimas décadas. O que antes era um procedimento invasivo, com recuperação prolongada e limitações ópticas importantes, transformou-se em uma das cirurgias mais seguras e realizadas no mundo.

Muitos pacientes ainda se lembram de familiares que, após a cirurgia, precisavam usar os chamados “óculos fundo de garrafa”. Essa imagem faz parte de uma fase importante da oftalmologia brasileira e ajuda a compreender o quanto a técnica evoluiu.

Essa mudança de conceito é central na prática contemporânea. Como explica o Dr. Diogo Boschini, a cirurgia de catarata hoje é entendida como uma estratégia de reabilitação visual planejada e não apenas como remoção de um cristalino opaco.

Neste artigo, você vai entender como era a cirurgia até os anos 1960, o que mudou nas décadas seguintes, quando surgiram as lentes intraoculares, como funciona a cirurgia de catarata moderna e por que a tecnologia impactou tanto o resultado visual.

Antes dos anos 1970: uma cirurgia muito diferente da atual

Até o final da década de 1960, a cirurgia de catarata era bastante diferente do que conhecemos hoje.

O procedimento consistia na remoção completa do cristalino opaco por meio de uma incisão ampla. Essa técnica, conhecida como extração intracapsular, exigia cortes grandes e manipulação significativa do olho.

Naquela época:

  • A catarata era retirada inteira

  • As incisões eram extensas

  • A recuperação era lenta

  • Não existiam lentes intraoculares implantáveis

O cristalino opaco era removido completamente, mas não era substituído por nenhuma lente interna. Isso gerava uma condição chamada afacia, na qual o olho ficava sem sua lente natural.

Como o cristalino é responsável por parte importante do poder de foco do olho, sua ausência deixava o paciente com grau elevado de hipermetropia. A única forma de compensar era através de óculos muito espessos, com cerca de 10 a 12 graus.

Esses óculos, popularmente chamados de “óculos fundo de garrafa”, permitiam que o paciente voltasse a enxergar, mas com limitações importantes. A imagem ficava ampliada, havia distorções nas bordas do campo visual e a adaptação nem sempre era simples.

Mesmo com essas limitações, era um avanço significativo para a época. Antes disso, a catarata frequentemente levava à cegueira irreversível.

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Anos 1970: a cirurgia extracapsular e o início da modernização

No início da década de 1970, houve avanço técnico importante com a introdução da cirurgia extracapsular da catarata.

Nessa técnica, o núcleo do cristalino era removido, mas parte da cápsula posterior era preservada. Essa preservação abriu caminho para a implantação de lentes intraoculares.

Foi um marco na história da cirurgia de catarata no Brasil.

As primeiras lentes intraoculares ainda eram rígidas e exigiam incisões relativamente grandes. Nem todos os pacientes eram candidatos, e a previsibilidade do grau final ainda não era tão precisa quanto hoje.

Ainda assim, foi um divisor de águas. Pela primeira vez, tornou-se possível substituir o cristalino removido por uma lente artificial, reduzindo drasticamente a dependência dos óculos de alta graduação.

A adaptação visual melhorou significativamente em comparação à fase anterior.

A grande revolução dos anos 1990: a facoemulsificação

Foi nos anos 1990 que a cirurgia de catarata moderna começou a se consolidar de maneira definitiva.

A introdução da facoemulsificação transformou completamente o procedimento. Essa técnica utiliza energia ultrassônica para fragmentar o cristalino dentro do olho, permitindo sua remoção em pequenos fragmentos.

A principal consequência foi a redução do tamanho da incisão. Ao invés de cortes amplos, passaram a ser realizadas microincisões de aproximadamente 2 a 3 milímetros.

Essa mudança trouxe benefícios claros:

  • Menor trauma cirúrgico

  • Recuperação visual mais rápida

  • Menor necessidade de pontos

  • Redução do astigmatismo induzido

  • Maior estabilidade do olho no pós-operatório

Outro avanço importante foi o desenvolvimento de lentes intraoculares dobráveis. Elas podiam ser inseridas pela mesma microincisão utilizada para remover a catarata.

Essa combinação consolidou o padrão da cirurgia de catarata moderna que utilizamos até hoje.

O impacto da evolução das lentes intraoculares

A evolução não ocorreu apenas na técnica cirúrgica, mas também no desenho das lentes intraoculares [LINKAR COM A PÁGINA DE LENTE INTRA.

Com o tempo, as lentes passaram a oferecer:

  • Melhor qualidade óptica

  • Cálculos biométricos mais precisos

  • Possibilidade de correção de astigmatismo

  • Opções multifocais ou de foco estendido

  • Maior previsibilidade do resultado visual

Hoje, o planejamento pré-operatório envolve medições detalhadas do olho para escolher a lente mais adequada.

Como explica o Dr. Diogo Boschini, a cirurgia moderna deixou de ser apenas a retirada da catarata e passou a integrar um planejamento visual individualizado.

Como é a cirurgia de catarata moderna hoje?

Atualmente, a cirurgia de catarata é considerada um procedimento seguro, planejado e de curta duração.

Ela é realizada com anestesia local, geralmente em ambiente ambulatorial, com alta no mesmo dia.

Na maioria dos casos:

  • A incisão é pequena

  • Não há necessidade de pontos

  • O procedimento dura poucos minutos

  • A recuperação visual é progressiva e relativamente rápida

Embora a tecnologia tenha evoluído muito, a indicação correta continua sendo o fator mais importante.

A técnica moderna aumenta a segurança e previsibilidade, mas o momento da cirurgia deve ser individualizado.

O que mudou para o paciente ao longo das décadas?

Se compararmos as diferentes fases da história da cirurgia de catarata, a transformação é evidente.

Antes, o paciente enfrentava incisões grandes, recuperação lenta e dependência obrigatória de óculos espessos.

Hoje, o procedimento é minimamente invasivo, com lentes intraoculares personalizadas e recuperação visual muito mais rápida.

Além disso, o impacto psicológico também mudou. A cirurgia deixou de ser vista como último recurso e passou a ser entendida como parte de um cuidado planejado com a visão.

Pacientes que antes aceitavam limitações visuais importantes hoje buscam qualidade visual e independência funcional.

Ainda existem riscos?

Sim.

Apesar dos avanços, a cirurgia continua sendo um procedimento médico que exige indicação adequada, avaliação pré-operatória detalhada, planejamento individualizado e acompanhamento pós-operatório.

Complicações são raras, mas possíveis, como em qualquer intervenção cirúrgica.

A tecnologia reduz riscos, mas não substitui critério clínico.

É justamente a combinação de experiência médica e tecnologia que torna a cirurgia moderna tão segura.

Perguntas frequentes

A cirurgia antiga era insegura?

Era segura para os padrões da época, mas envolvia maior trauma cirúrgico e recuperação mais lenta quando comparada à cirurgia de catarata moderna.

Porque o cristalino era removido e não havia lente intraocular para substituí-lo. O óculos compensava a ausência dessa lente natural.

Sim. A técnica moderna permite maior previsibilidade visual, microincisões e melhor planejamento da lente intraocular.

Não. A indicação hoje é baseada no impacto funcional, não no grau de maturação da opacidade.

A história da cirurgia de catarata mostra como a medicina evolui de forma progressiva e consistente.

O que antes exigia grandes incisões e adaptação a óculos espessos tornou-se um procedimento com microincisões, planejamento biométrico preciso e lentes intraoculares personalizadas.

A cirurgia de catarata moderna é resultado de décadas de pesquisa, aprimoramento técnico e experiência clínica acumulada.

Mais importante do que a tecnologia, porém, continua sendo a indicação correta e o acompanhamento adequado.

Entender essa evolução ajuda a compreender por que o tratamento atual é tão diferente daquele realizado décadas atrás e por que os resultados visuais são hoje muito mais previsíveis.

Se você deseja avaliar seu caso com segurança e planejamento individualizado, agende sua consulta com o Dr. Diogo Boschini.